Plástico, química e protecção climática


Este artigo apresenta uma breve visão geral de como a química integrada nas soluções de plástico lhes fornece propriedades ambientalmente benéficas. Foi escrito para apoio do chat com Anton de Vries, a 27 Novembro de 2008.

Quando se trata de proteger o clima, a escolha dos materiais é fundamental. Para dar um exemplo, os materiais utilizados na construção de um carro determinarão o seu peso. Quanto mais pesado for, mais combustível gastará, e mais dióxido de carbono produzirá. O recurso a materiais que diminuam o peso do carro ajudará consequentemente a proteger o clima.

As diferentes propriedades dos materiais tornam-nos adequados a distintas aplicações. O conhecimento dos químicos que integram os diferentes materiais permite-nos compreender de que maneira é que eles podem proteger o clima.

Um aspecto a considerar relativamente aos materiais é quanto combustível fóssil economizam na sua fase de utilização, comparativamente ao combustível necessário para a sua produção. Nesta perspectiva, os plásticos são materiais de eficiência ecológica, uma vez que possibilitam o uso eficiente de energia durante a sua fase de utilização.

Os plásticos são produzidos pela ligação de moléculas orgânicas. A quantidade e a estrutura destas moléculas, também denominadas de monómeros, determinam a propriedade do material plástico, dando-lhe uma característica de “camaleão”, que o torna adaptável a uma grande variedade de aplicações.

Para adaptar o plástico a uma determinada aplicação e a um processo de produção torna-se necessário a utilização de aditivos, por exemplo fibras de vidro, minerais, pigmentos e outros químicos. Existe uma enorme variedade de diferentes opções de combinação do plástico com outros materiais. Esta versatilidade é vantajosa, uma vez que o plástico pode ser adaptado a necessidades específicas de determinadas aplicações. Os plásticos podem ser transparentes, alguns são extremamente duros, outros resistentes ao fogo, outros são ainda compatíveis com os fluidos corporais, etc. Outros materiais possuem uma adaptabilidade limitada e são muitas vezes mais pesados.

Uma característica importante dos plásticos é a possibilidade de serem reproduzidos em formas e propriedades consistentes e por vários milhares de vezes, o que a natureza não consegue fazer.

A alteração climática é um assunto que interessa a todas as pessoas do mundo. Ao produzir mais energia renovável, criamos menos emissões de gases com efeito de estufa. Este é um sector onde o plástico é indispensável. Muitos dos componentes tecnológicos necessários para dispositivos de produção de energia só são possíveis devido ao plástico. Por exemplo, as turbinas eólicas, tecnologia que converte a energia cinética do vento em energia mecânica, estão a utilizar cada vez mais técnicas sofisticadas de engenharia, possíveis graças ao plástico, para desenvolver as potencialidades da energia eólica. As pás de muitas modernas turbinas eólicas são feitas de fibra plástica reforçada. Estes compostos resultam em pás duras, com uma grande durabilidade e leveza. Estas características – grande resistência, baixo peso – tornam o plástico um material ideal para os geradores eólicos, permitindo uma instalação mais fácil, com aumento da duração e reduzida manutenção.

A versatilidade do material contribui também significativamente para o aumento da eficiência energética: Conseguem-se reduções pela utilização do plástico no isolamento dos edifícios, pelo recurso a plástico leve no transporte e na embalagem para reduzir a deterioração dos alimentos. Em determinados casos, se não existisse o plástico, o peso total dos materiais utilizados aumentaria um factor 3.9, o consumo de energia à volta de 26% e as emissões de CO2cerca de 56% (GUA, 2004).

Um outro campo digno de menção é o consumidor electrónico, onde os equipamentos electrónicos miniatura não seriam possíveis sem o recurso ao plástico. No início dos anos de 1970 os computadores requeriam toda uma sala, enquanto hoje, graças ao plástico, um pequeno portátil pode realizar um trabalho ainda maior.

A reciclagem de certos tipos de plástico contribui também para a protecção do clima. Toda a reciclagem fala da química. A maioria do plástico é termoplástico. Após a recolha e separação, o plástico pode ser misturado de novo e adquirir novas formas, o que facilita a sua utilização num grande número de diferentes formatos durante o seu ciclo de vida. Os ecrãs frontais dos telemóveis   são um bom exemplo: as distintas placas frontais são resultantes de poliestireno reciclado que, anteriormente foi utilizado em chávenas de café.  Não é possível com os termoplásticos porque têm uma estrutura molecular, o que faz com que o material se decomponha se aquecido a temperaturas muito altas.

O conhecimento das propriedades dos materiais em que assenta a nossa vida quotidiana tem permitido muitos avanços tecnológicos, reduzindo o consumo de energia e os recursos naturais. Em primeiro lugar por reduzirem o peso. Em segundo, pela melhoria do desempenho de combustão dos motores dos carros, directamente, por exemplo a qualidade do ar superficial dos colectores de admissão, ou indirectamente pela possibilidade de colocação de elementos redutores de energia junto ao motor. O plástico é de fácil maleabilidade, ajudando na diminuição da fricção do ar ou no desenvolvimento da aerodinâmica.

Informação relacionada

Plastic Europe
European Schoolnet